10.9.19

Sem rede

Na terceira fala já me trata por tu, franqueza que não consigo, e apresenta me Kiko, um rafeiro abandonado perto há dois anos, que agora é o porteiro da propriedade. Derreto me, pois claro. Subimos depois ao miradouro e a vista está toda lá, como ele tinha dito, uma serenidade alentejana que nos acalma todas as pressas. Das colunas de som, espalhadas pela casa, a música vem dos anos setenta, em francês. Quase me rendo ao gin oferecido, mas sei que o meu lugar não é ali. Agradeço e afago o cão uma última vez. O velho Jolly Jumper, sem surpresas, espera por mim à sombra de uma oliveira. É quanto basta.