18.12.19

e quando é que morres?

esta chuva não dá jeito nenhum, diz alguém do grupo que o acaso sentou na mesa ao lado. penitenciei-me em silêncio por não ter ficado na mesa solitária, junto à cozinha, que o empregado me tinha sugerido. ando farta de grupos que relincham gargalhadas como se a sala do feno lhes pertencesse. 
a meio de uma conversa onde a mulher mais próxima de mim, imbuída no espírito hipócrita da época, ia criticando a indumentária da bebé de uma amiga ausente, nas fotografias que uma outra lhe mostrava no telemóvel, o pequeno jovem, não mais de 5, 6 anos, pergunta, avó, que idade tens? a avó, sentada ao fundo, no canto da mesa, sorriu-lhe e disse, 83, meu filho. o pequeno jovem franziu a testa e candidamente acrescentou, tantos?! e quando é que morres?
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