31.1.20

leninha

viste o meu gato, pergunta-me ela, de repente, atrás de mim. quase tropeço na rapariga à minha frente, junto à vitrina dos bolos, mas lá me consigo segurar. a leninha já é conhecida aqui no bairro. jovem nos seus vinte, tem síndrome de down e adora fazer perguntas. no início, não sabia bem o que havia de lhe responder, sempre que ela me apanhava no café. a senhora da caixa lá me salvava, tomando ela as rédeas da conversa. com o tempo, comecei a saber conversar com a leninha, percebi que a melhor resposta às suas perguntas, era uma nova pergunta. assim a leninha parava para pensar e ia avançando na história com algumas informações. a leninha tem uma pureza que às vezes ainda me desarma.
não, não vi, onde o deixaste? 
o meu gato? o meu gato ficou em casa. tu queres ir à minha casa?