11.2.20

joaquim ornitólogo

Heike Kuzminski


começo a habituar-me a vê-lo sentado no banco do costume, debicando a sandes do pequeno-almoço, sempre embrulhada em papel de prata. o caixote do lixo andante, de um verde escuro imaculado, fazendo-lhe companhia, ninguém por perto para incomodar. talvez por pudor, também eu não me atrevo a seguir em frente pelo carreiro e escolho virar a direcção. se joaquim escolhe o banco mais afastado do jardim, por alguma razão há-de ser.
que estranhos seres humanos somos, evitando cruzar caminhos, fugindo uns dos outros, talvez temendo encontrar-nos a nós mesmos.