14.2.20

O único amigo que tenho

Funguei compridamente.
-- Não faz mal, eu vou matar ele.
-- Que é isso, menino, matares teu pai?
-- Vou sim, eu até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer Bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.
-- Mas tu também disseste que me matavas?
-- Disse no começo. Depois matei você ao contrário. Fiz você morrer nascendo no meu coração. Você é a única pessoa que eu gosto, Portuga. O único amigo que tenho.


Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos