14.4.20

contrabando

o bando deliberou que não ia morrer à fome e depois de uma profunda mas rápida análise de mercado decidiu seguir a tendência do momento, segundo todas as redes sociais e influencers mais famosas: fazer pão em casa. mas não se iluda quem lê, um bando de esconjurados que foge do pão que o diabo amassou, não anda há procura de grandes invenções gastronómicas, nem de liturgias barrocas. não, somos pessoas simples, o nosso objectivo é puramente comercial. queremos vender o produto que fazemos na máquina da cozinha, directamente ao cliente final. There's no such thing as good money or bad money. There's just money, declama Cirilo, roubando as palavras ao seu ídolo da adolescência.
começamos por onde se começa quando a necessidade aperta, mas a soma da experiência conjunta é igual a coisa nenhuma: compramos o preparado no supermercado, só foi preciso juntar água. bons tempos esses, ingénuos artesão do corpo de deus, todo o resultado era aclamado com palmas e vivas e devorado ainda quente com manteiga.
depois de controlado o processo de produção, passamos à clientela. Cirilo, que entretanto fazia alguns biscates na igreja de nossa senhora das graças, conseguiu milagrosamente uma lista de contactos de quase todas as paroquias.
Vamos começar pelas mais velhinhas, assobia Cirilo, enquanto as procura no facebook.