3.4.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #16

o fingimento do quotidiano, o barulho que antes incomodava, as conversas que não queríamos ouvir, os gritos estridentes das crianças, sons que agora parecem estar em falta. persiste a ideia do beijo infinito, do abraço interminável, mas tudo parece afastar-se e nós continuamos parados. dramatizamos, quando estamos à míngua, e talvez por isso a voz do farmacêutico, tranquila e suave, me parecesse a voz de um anjo, enquanto aviava o freguês à minha frente e eu observava a azáfama nocturna do um bando de passarinhos, distribuindo-se pelos ramos de uma das árvore da praça. há momentos em que o desespero se enrola ao corpo por dentro, imobilizando o gesto e o pensar. mas não ali, não hoje, não naquele momento.


Rodney Smith