21.7.20

chuva de verão

visitou-me o poeta esta manhã e sua voz ainda ecoa na minha cabeça. sentados à sombra da macieira, o poeta falou-me do início dos tempos, dos navegadores modernos e do estado das maçãs. bebi-lhe todos os pingos de voz, numa adoração de virgem apaixonada.
antes de partir, acariciou-me o braço descoberto até à clavícula, onde me beijou. ainda tremia, de olhos fechados, quando o céu chorou as primeiras gotas.
amo um poeta. um homem azul, infinitamente belo.