5.7.20

pé pesado


in coração acordeão


ao contrário do antónio, já não me lembro do nome do meu instrutor de condução, mas lembro me que era um dos dois homens mais cobiçados da escola, o outro, com quem fiz o código, estava esgotado durante as próximas semanas, que o mulherio nunca anda a dormir, e eu tinha pressa, queria largar a motoreta e ir laurear a pevide no automóvel a cair de podre que o meu irmão me tinha prometido desencantar numa sucata qualquer; assim sendo, lá fui experimentar aquele tom cruise do volante, ray-bans a condizer, um pintas bem disposto, que eu, trazendo os vícios de quem se julga já conhecedora das máquinas, primeiro com as voltinhas ao campo de futebol na banheira roubada ao meu pai, mais tarde no carro da madrinha, como deve ser, ia irritando todas as tardes com muito carinho, ultrapassando os 50km/hora da cidade sempre que podia. tens o pé pesado, caralho!! mais devagar!