anda comigo ver as baleias, disseste-me tu, sabendo da minha paixão pelos cetáceos. e eu fui, descalça, sentada no pequeno barquinho a remos que roubamos no cais. nunca te cheguei a dizer que nem sabia nadar.
se as palavras tivessem facas e me cortassem os lábios, a língua, as mãos, ao tentar segurá-las na boca,
e se as facas, afiadas, ao dilacerar a carne, escondessem a dor dentro das palavras,
então eu escreveria
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30.5.17
1.8.16
17.7.16
28.4.16
são corpos que se colam, enterrando-se nos olhares que os oferecem. que dizer, meu amor, quando tu me beijas com as sobrancelhas em arco, elevando-me a respiração? pestanejo suspiros; inglórias mãos que não se tocam, mais do que à chávena do café, suja do meu batom. são bocas que se dão, acompanhando os saltos dos sapatos, pedras, um papagaio que voa em arco, azul e verde no céu, um cheiro que nos cobre, aromas tantos, jeitos e trajectos, um poema visual, e sempre tudo, tudo, outra vez tudo, nos provoca este fluído tesão. há flores na ementa, lemos, mas preferimos uma torrada em pão de forma, para trincarmos o quadrado onde nos escondíamos, se pudéssemos, ah, se pudéssemos, meu amor, da lábia encardida da mulher da etiqueta, que nos assombra o coração. limpas-me os cantos da boca e eu estimulo-te os sentidos, lambo-te os lóbulos quentes, sentes, e deixamo-nos ficar. os pés a dois passos. há jornais de ontem, a um canto, que não folheio, e o barulho da máquina dos gelados. são sexos que se esfregam, no silêncio de um parlatório ruidoso, mamilos róseos em cores dilatadas, sabor, suor que transborda na pele, deixando manchas de amanhãs. fodemos, poeticamente falando.
2.4.16
30.3.16
tinha prometido a mim mesma que depois de nadar até à porta de casa, me afogaria com dois litros de água vermelha e velaria o meu corpo na banheira de hidromassagens. uma morte líquida numa noite chuvosa de quarta-feira - poético/patético/perfeito. mas agora, que o gosto do sal me tempera a boca, talvez já de uma morte anunciada, fico prostrada, no chão frio da casa de banho, sem saber o que fazer.
25.2.16
deus, um deles, não sei qual, lembrou-se de me castigar. velhaco, decidiu dar-me alguns minutos livres, - mais do que o habitual - quando deles nada posso engendrar. noutras alturas, já com a Blimunda a postos e a cabeça nas nuvens, como é de convir, o traste aperta-me o peito com obscuridades e impedimentos, obrigando-me, inflexível, a recuar.
tenho sido joguete nas mãos deste terrível enfant gâté, como boneca em mãos de uma pirralha. um quero, não quero divino, que me traz o coração em fanico - corrijo: em síncope, que a Pirata apelidou-me de intelectual e há que aproveitar a ofensa. pior, - porque há sempre uma nuvem pronta a nascer da nossa miséria - quando o mafarrico olimpiano parece acordar com os calcâneos de fora, o meu castigo avoluma-se nesta tortura costumeira: ficar sentada na cadeira, suspirando, enquanto o meu anoplogaster-cornuta - novamente a linguagem cuidada da cientificidade - me devora o fundo do mar.
5.2.16
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| Natasha Lewis |
um índice, conspícuo sextante, para os olhos de mareante que em mim viesses navegar. páginas tacteadas, percorridas sob um pequeno leme axial. dentro, parágrafos galgados em sofreguidão, -- a espuma, borbulhando, molhando-me a mão, a boca rasga o sorriso --, e as palavras, urgentes, prenhes de vento, à bolina, exalando o teu sal. baloiço, dentro de um pequeno barco de madeira. as velas, tão delicadas, são como asas azuis de Lepidópteros que o vento, água salgada em voo picado, teima em rasgar.
...
queria-me livro, para, em noites como esta, me poder apagar.
[reeditado]
...
queria-me livro, para, em noites como esta, me poder apagar.
[reeditado]
4.2.16
24.1.16
6.12.15
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| Amelie Petit Moreau |
quando o mar se elevou da terra e se fez céu, a montanha permaneceu. onde antes se escondiam monstros disformes de águas profundas, sibilam sereias feitas de vento, catando vida que lhes sirva de companhia. assim será, até que o mar retorne ao lugar que lhe pertence. mas o mar, agora céu estrelado, não voltará, apaixonou-se pela lua, menina mimada, que às vezes desaparece. em seu lugar, mandou construir espelhos salgados. abandonada, a montanha chora um frio branco que mata. o lobo, primeiro amante da lua, continua a uivar-lhe a cada madrugada, implorando-lhe que reconsidere.
12.11.15
18.10.15
17.8.15
11.8.15
5.8.15
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