[quando se apagam palavras, estará o autor em demanda inglória pela perfeição. quando se apagam textos, está o autor, pária jamais literária, em fuga da sua total imperfeição.]
se as palavras tivessem facas e me cortassem os lábios, a língua, as mãos, ao tentar segurá-las na boca,
e se as facas, afiadas, ao dilacerar a carne, escondessem a dor dentro das palavras,
então eu escreveria
21.2.15
16.2.15
10.2.15
9.2.15
8.2.15
7.2.15
um índice, conspícuo sextante, para os olhos de mareante que em mim viesses navegar. páginas tacteadas como leme axial, palavras navegadas à bolina, parágrafos galgados em sofreguidão. velas tão delicadas como asas azuis de Lepidópteros, que o vento, água salgada em voo picado, teima em rasgar.
...
queria-me livro, para, em noites como esta, me poder queimar.
3.2.15
2.2.15
31.1.15
30.1.15
29.1.15
28.1.15
É seu este livro, Maria Kodoma. Precisarei dizer-lhe que esta inscrição compreende os crepúsculos, os cervos de Nara, a noite solitária e as populosas manhãs, as ilhas partilhadas, os mares, os desertos e os jardins, e o que o esquecimento perde e o que a memória transforma, a alta voz do almuadem, a morte de Hawkwood, os livros e as gravuras?
Inscrição in Os Conjurados
26.1.15
23.1.15
22.1.15
Ibn Sina foi peremptório, Atlas será obrigada ao sossego (imobilizador) durante vinte e um dias, limitando a sua energia a uma dúzia de passos, devidamente contados. até lá, a sua sorte com Hela já terá sido lançada. Ulrica sabe que nem todas as moedas de ouro do mundo terão força para lutar contra o poder malévolo de Hela, mas confia na ciência e no bom coração de Ibn Sina. enquanto espera, acalma o seu, rezando.
21.1.15
Quem escreve quer morrer, quer renascer
num ébrio barco de calma confiança.
Quem escreve quer dormir em ombros matinais
e na boca das coisas ser lágrima animal
ou o sorriso da árvore. Quem escreve
quer ser terra sobre terra, solidão
adorada, resplandecente, odor de morte
e o rumor do sol, a sede da serpente,
o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho,
o negro meio-dia sobre os olhos.
num ébrio barco de calma confiança.
Quem escreve quer dormir em ombros matinais
e na boca das coisas ser lágrima animal
ou o sorriso da árvore. Quem escreve
quer ser terra sobre terra, solidão
adorada, resplandecente, odor de morte
e o rumor do sol, a sede da serpente,
o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho,
o negro meio-dia sobre os olhos.
18.1.15
17.1.15
16.1.15
15.1.15
Atlas, a cadela, escolhida por Odin para proteger Ulrica, foi atingida pela fúria de Hela. Ulrica amaldiçoa o destino, cinza opaca que lhe cobre a vida. amanhã mesmo, irá ao templo e suplicará a Iduna uma maçã sagrada, fatiada a sabre e envolvida num poema de vitória e superação. amanhã, o dia em que Borges estaria tão perto, será afinal para tentar salvar Atlas, a fiel companheira.
14.1.15
primeiro destroem em seu interesse,
de seguida fazem-nos o favor,
enquanto nos limitam às necessidades mais básicas,
imundice humana.
depois sorriem,
abrem a braguilha
enterram-se na esperança vaga que ainda pulsa,
à força,
rasgam-nos,
violam-nos até ao âmago
a razão de existir.
somos a sua trupe infinita.
12.1.15
11.1.15
No fim da história eles ficam juntos. É isso que está escrito bem no topo da página, no começo do texto. Que ficam juntos. Ainda que, e isso vem logo em seguida, ainda na verdade este ficar junto signifique que tenham que ficar muito sozinhos. Antes e rotineiramente. E ainda tem mais, é preciso dizer. Juntos são infelizes.
[continua aqui]
[continua aqui]
10.1.15
Com a precaução de quem tem flores fechadas no peito passeei de noite
pela casa. Um fantasma forçou uma porta atrás de mim. Gemendo como um
animal estrangulado acordei-te.
Enterro o meu terror como um alfange na terra. Porque é preciso ter
medo bastante para correr bastante toda a casa celebrar bastantes missas negras
atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas.
Só o amor tem uma voz e um gesto mesmo no rosto da ideia que me
impus da morte.
És tu tão único como a noite é um astro.
pela casa. Um fantasma forçou uma porta atrás de mim. Gemendo como um
animal estrangulado acordei-te.
Enterro o meu terror como um alfange na terra. Porque é preciso ter
medo bastante para correr bastante toda a casa celebrar bastantes missas negras
atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas.
Só o amor tem uma voz e um gesto mesmo no rosto da ideia que me
impus da morte.
És tu tão único como a noite é um astro.
8.1.15
7.1.15
Carnal knowledge. It’s what lovers trust each other with. Knowledge of each other, not of the flesh but through the flesh, knowledge of self, the real him, the real her, in extremis, the mask slipped from the face. Every other version of oneself is on offer to the public. We share our vivacity, grief, sulks, anger, joy… we hand it out to anybody who happens to be standing around, to friends and family with a momentary sense of indecency perhaps, to strangers without hesitation. Our lovers share us with the passing trade. But in pairs we insist that we give ourselves to each other. What selves? What’s left? What else is there that hasn’t been dealt out like a deck of cards? Carnal knowledge. Personal, final, uncompromised. Knowing, being known.
6.1.15
5.1.15
3.1.15
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