![]() |
| Moroccan Argan |
se as palavras tivessem facas e me cortassem os lábios, a língua, as mãos, ao tentar segurá-las na boca,
e se as facas, afiadas, ao dilacerar a carne, escondessem a dor dentro das palavras,
então eu escreveria
31.3.15
Se espera que la lluvia pase. Se espera que los vientos lleguen. Se espera. Se dice. Por amor al silencio se dicen miserables palabras. Un decir forzoso, forzado, un decir sin salida posible, por amor al silencio, por amor al lenguaje de los cuerpos. Yo hablaba. En mí el lenguaje es siempre un pretexto para el silencio. Es mi manera de expresar mi fatiga inexpresable.
30.3.15
29.3.15
Coimbra, 18 de Outubro de 1952 - (...) Ninguém tenha ilusões: as possibilidades de renovação dum homem são poucas. A vontade não basta para substituir valores habituais por valores eventuais. E cada voto de mudança é uma abstracção mental sem raízes no exequível. Passa-se a vida a repetir a mesma banalidade.
28.3.15
importa-lhe de igual forma o sol lá fora, como a voz ao lado. há dias, uma amiga partiu para Oriente, levando na bagagem um atestado de pequenez, que a invalidava em terras lusas, passado por gente que agora chegou, gente gigante, detentora dos grandes títulos. a Oriente, parecem apreciar a mulher, quase corcunda, que lhes apareceu. poucas horas depois, mais alguém pequeno que parte, desta vez, em busca de um pôr-do-sol no mediterrâneo que lhe dê sentido à vida a mais de metade. ambas partem escondidas, com vergonha de si próprias, escorraçadas das raízes pelos novos deuses. nas partidas, ninguém lhes dirá adeus.
27.3.15
25.3.15
«Em poesia vale mais sentir um estremecimento a propósito de uma gota de água que cai em terra e comunicar esse estremecimento do que expor o melhor programa de entreajuda social. Essa gota de água provocará no leitor mais espiritualidade do que os maiores estímulos à elevação de sentimentos e mais humanidade do que todas as estrofes humanitárias. É isso a transfiguração poética. O poeta mostra a sua humanidade por vias próprias que, frequentemente, são inumanidade (aparente e momentânea, esta). Mesmo antisocial ou a-social, ele pode ser social.»
24.3.15
La Poesía es un atentado celeste
Yo estoy ausente pero en el fondo de esta ausencia
Hay la espera de mí mismo
Y esta espera es otro modo de presencia
La espera de mi retorno
Yo estoy en otros objetos
Ando en viaje dando un poco de mi vida
A ciertos árboles y a ciertas piedras
Que me han esperado muchos años
Se cansaron de esperarme y se sentaron
Yo no estoy y estoy
Estoy ausente y estoy presente en estado de espera
Ellos querrían mi lenguaje para expresarse
Y yo querría el de ellos para expresarlos
He aquí el equívoco el atroz equívoco
Angustioso lamentable
Me voy adentrando en estas plantas
Voy dejando mis ropas
Se me van cayendo las carnes
Y mi esqueleto se va revistiendo de cortezas
Me estoy haciendo árbol Cuántas cosas me he ido convirtiendo en
[otras cosas...
Es doloroso y lleno de ternura
Podría dar un grito pero se espantaría la transubstanciación
Hay que guardar silencio Esperar en silencio
De Últimos poemas, 1948
Yo estoy ausente pero en el fondo de esta ausencia
Hay la espera de mí mismo
Y esta espera es otro modo de presencia
La espera de mi retorno
Yo estoy en otros objetos
Ando en viaje dando un poco de mi vida
A ciertos árboles y a ciertas piedras
Que me han esperado muchos años
Se cansaron de esperarme y se sentaron
Yo no estoy y estoy
Estoy ausente y estoy presente en estado de espera
Ellos querrían mi lenguaje para expresarse
Y yo querría el de ellos para expresarlos
He aquí el equívoco el atroz equívoco
Angustioso lamentable
Me voy adentrando en estas plantas
Voy dejando mis ropas
Se me van cayendo las carnes
Y mi esqueleto se va revistiendo de cortezas
Me estoy haciendo árbol Cuántas cosas me he ido convirtiendo en
[otras cosas...
Es doloroso y lleno de ternura
Podría dar un grito pero se espantaría la transubstanciación
Hay que guardar silencio Esperar en silencio
De Últimos poemas, 1948
8.3.15
gosto que as mulheres sangrem, manchem
a roupa interior, sujem
a borda dos dedos o interior das
frases e dos favores -
gosto que as mulheres sangrem SOBRE TUDO quanto lhes estende a mão
a faca acesa que as atravessa
o rio que escorrega o lume que tomba o corpo
SOBRE TUDO quanto as faz morrer
gosto que as mulheres morram
a roupa interior, sujem
a borda dos dedos o interior das
frases e dos favores -
gosto que as mulheres sangrem SOBRE TUDO quanto lhes estende a mão
a faca acesa que as atravessa
o rio que escorrega o lume que tomba o corpo
SOBRE TUDO quanto as faz morrer
gosto que as mulheres morram
Mafalda Gomes
“One of the first signs of the beginning of understanding is the wish to die. This life appears unbearable, another unattainable. One is no longer ashamed of wanting to die; one asks to be moved from the old cell, which one hates, to a new one, which one willl only in time come to hate. In this there is also a residue of belief that during the move the master will chance to come along the corridor, look at the prisoner and say: "This man is not to be locked up again, He is to come with me.”
Franz Kafka, Blue Octavo Notebooks
Iconography from the album The Blue Notebooks
5.3.15
4.3.15
fala
Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.
Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.
Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.
Não há piedade nos signos
e nem o amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.
(Toda palavra é crueldade.)
\\\
destruição
A coisa contra a coisa:
a inútil crueldade
da análise. O cruel
saber que despedaça
o ser sabido.
A vida contra a coisa:
a violentação
da forma, recriando-a
em sínteses humanas
sábias e inúteis.
A vida contra a vida:
a estéril crueldade
da luz que se consome
desintegrando a essência
inutilmente.
Orides Fontela, Transposição, 1969
Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.
Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.
Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.
Não há piedade nos signos
e nem o amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.
(Toda palavra é crueldade.)
\\\
destruição
A coisa contra a coisa:
a inútil crueldade
da análise. O cruel
saber que despedaça
o ser sabido.
A vida contra a coisa:
a violentação
da forma, recriando-a
em sínteses humanas
sábias e inúteis.
A vida contra a vida:
a estéril crueldade
da luz que se consome
desintegrando a essência
inutilmente.
Orides Fontela, Transposição, 1969
1.3.15
e a morte passa de boca em boca com a leve saliva
as cordas que cortam finamente a pele, em rodopios inesperados, gritando o que não queremos ouvir, que o amor nos destrói, na sua consumação autofágica. enquanto isso, na mais pura das danças, Bernstein, nu, faz amor com a música.
21.2.15
16.2.15
10.2.15
9.2.15
8.2.15
7.2.15
um índice, conspícuo sextante, para os olhos de mareante que em mim viesses navegar. páginas tacteadas como leme axial, palavras navegadas à bolina, parágrafos galgados em sofreguidão. velas tão delicadas como asas azuis de Lepidópteros, que o vento, água salgada em voo picado, teima em rasgar.
...
queria-me livro, para, em noites como esta, me poder queimar.
3.2.15
2.2.15
31.1.15
30.1.15
29.1.15
28.1.15
É seu este livro, Maria Kodoma. Precisarei dizer-lhe que esta inscrição compreende os crepúsculos, os cervos de Nara, a noite solitária e as populosas manhãs, as ilhas partilhadas, os mares, os desertos e os jardins, e o que o esquecimento perde e o que a memória transforma, a alta voz do almuadem, a morte de Hawkwood, os livros e as gravuras?
Inscrição in Os Conjurados
26.1.15
23.1.15
22.1.15
Ibn Sina foi peremptório, Atlas será obrigada ao sossego (imobilizador) durante vinte e um dias, limitando a sua energia a uma dúzia de passos, devidamente contados. até lá, a sua sorte com Hela já terá sido lançada. Ulrica sabe que nem todas as moedas de ouro do mundo terão força para lutar contra o poder malévolo de Hela, mas confia na ciência e no bom coração de Ibn Sina. enquanto espera, acalma o seu, rezando.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















