24.11.15

tocando violino, um anjo/vela/recordação que nunca ardeu e faz companhia às negras esguias da Guiné, um candelabro de nove braços, onde velas vermelhas ardem em contraste com o corpo alto prateado, e agora uma poinsétia, replantada e virada a sul, como vem no almanaque. 
eis o natal. 
[mais do que isto, é tortura]
em Niflheim, dizem-me, a temperatura dentro das casas nunca pode fazer muita diferença da temperatura exterior, apenas a necessária para manter os corpos vivos. explicam-me que é importante habituar o corpo ao que irá encontrar na rua, para que o choque seja menor. acho uma tolice, daquelas bem tolas. se assim fosse, os ingleses dormiam debaixo do chuveiro, respondo-lhes, dentro do meu pijama polar. encolhem os ombros, desinteressados do argumento. zombam da minha roupa, em cima do aquecedor.
olho pela janela, a medo. nevou?! não, rapariga. é geada.

23.11.15

-- e tu, Flor, por onde andas?

-- por Niflheim, (sem saber muito bem como), a fugir dos anões, evitando o dragão e a morrer de frio.

22.11.15

Laura Makabresku

21.11.15

mil homens, bestas de cascos afiados, relinchando trovões, penetrando-me, rasgando orifícios, pântanos de sangue e de fezes, urinando-me as feridas abertas da cara. mil homens cuspindo-me o nojo, derramando sémen nos meus olhos abertos, até não haver mais círculos de fogo. mil homens enjaulando-me, nua, numa praça qualquer. oferecendo a minha boca ao público animal, que zurra, na antecipação, vendendo a minha cona a todos os mercadores, velhos senis que masturbam membros defeituosos. mil homens silvando a mesma tira de couro nas minhas costas, nas minhas mãos, nas minhas mamas, noite após noite, até adormecer.
mil homens despedaçando o meu corpo, queimando o meu centro, acalmando a minha dor. 

15.11.15

Nada tiene que ver el dolor con el dolor
nada tiene que ver la desesperación con la desesperación
Las palabras que usamos para designar esas cosas están viciadas
No hay nombres en la zona muda
(VOLTAR À) TONA

«Como faz o sangue, volto ao coração, à tona, para ter ar. A minha vida tem sido arrumar coisas dentro do peito. Desfazes-me as palavras e as notas do piano e, com os dedos, constróis os meus pulmões para que eu possa respirar. E assim as minhas melodias morrem contra o teu corpo, como pétalas secas. Empurro tudo para dentro do coração, como se desse comida a uma criança, colher atrás de colher. Lembro-me de teres posto os meus pés em cimento e de me teres atirado a alma para o fundo do mar. Descobri: que era mesmo no fundo que estava a superfície, era mesmo no fundo que era possível respirar. Quando não estás - como se fosse possível não estares - caminho com as pernas arruinadas, por dentro e por fora, e tento chegar a casa, andando à volta das costelas, à espera que apareças, a apontar o teu coração ao meu, para me matares com um abraço.»

(Cartas de Gould, Recolha da CIA) in Mar - Enciclopédia da Estória Universal, de Afonso Cruz, p. 170

14.11.15

lembro-me que lia(mos) Le Rouge et le Noir, eu ainda era virgem e ele era muçulmano. lembro-me que a mulher que eu conhecia moderna e amiga, me levantou o dedo, tremendo dos lábios, e gritou qualquer coisa como, Promete-me que não o voltas a ver! Tu não sabes o que eles fazem com as mulheres! Promete! e eu prometi, assustada, confusa. o meu coração nem sequer estava preso, apenas a doçura curiosa de lermos o mesmo livro em bancos de jardim tão próximos. sei que a mulher me tentava proteger a todo o custo, o medo é uma arma poderosa e a realidade pode ser, por vezes, uma mancha cinzenta pesada. existe, magoa, marca.
anos mais tarde, a mesma, apaixonou-se por um muçulmano e viveu com ele durante dois anos. 

13.11.15

a chacina que hoje ocorre em Paris, acabará por vitimar também aqueles que - igualmente inocentes - esperam para entrar na europa prometida.
Pretinha, a gata, olha-me com a curiosidade do costume. já se vai habituando a mim, mas a cautela da rua, afasta-a da minha tentativa de chegar mais perto. sei que tem comida e água, um sítio para se abrigar. tranquila, fecho o carro e despeço-me dela com algumas palavras meigas.
entendo bem a Pretinha. para que haveria ela de amolecer o instinto, se a vida já lhe ensinou que há sempre um pontapé escondido? podemos não evitar a pancada, mas não seremos apanhadas de surpresa.

12.11.15

explodindo, é possível recuar ao início do universo, memória basilar da vida?

11.11.15

I shut my eyes and all the world drops dead; 
I lift my lids and all is born again. 
(I think I made you up inside my head.)

mad girl's love song

10.11.15

o que começou por me parecer um desejo mórbido, é agora a mais pura das curiosidades. esqueça o pórtico, Sr. Licínio, mostre-me Tabucchi e Cesariny. depois, lá iremos às catacumbas.

8.11.15

não possuo humanidade suficiente para padecer de vício algum. sou apenas uma pequena gota, à deriva, sem desejo maior. se um dia fui onda, intensa como vaga de tempestade, não o sou mais.  
sempre que enjoo da minha escrita, meia dúzia de lamúrios atabalhoados, julgo-me curada. porque a vida há-de ser outra coisa que não esta, olhando caracteres num ecrã, esperando a salvação que não vem.
até quando?

7.11.15

foi a primeira vez que senti uma tristeza tão física, como se a própria morte tivesse feito o ninho nas minhas entranhas, depois de furar o peito daquele rouxinol. o momento em que perdi a inocência. cedo demais.

hoje descobri que a história - um pouco mais amarga, igualmente idiota - é de oscar wilde. 

1.11.15

um ano de cultivo pede o pousio da palavra.

stamennicholas alan cope

31.10.15

Abertura com piano: continuaremos a ser uma melodia

«A música, transpirada do piano, andava a tocar-nos à volta da pele, como uma mosca, unia-nos como dedos cruzados por dentro, como veias. (...) Os teus dedos faziam-me tropeçar nas palavras, e eu, em vez de seguir em frente com as frases, soluçava, eram sílabas estranhas a que normalmente chamamos gemidos. E havia sempre aquela música que nos unia, uma música que ninguém sabia assobiar, uma harmonia que não era possível tocar no piano.
Era assim que nos abraçávamos.
Lembro-me de nos sentarmos, juntos, ao pôr do sol. Tu eras um recorte nocturno, preto, eu era luz. Era desse modo que nos dividíamos e era assim que nos misturávamos.

Um dia seremos muito velhos, seremos rugas, e, ao contrário de quando éramos novos, saberemos que vamos morrer. No entanto, isso dar-nos-á uma sensação de eternidade, algo que nunca experimentámos antes, dar-nos-á dias a mais, porque saberemos que temos dias a menos.
Continuaremos a ser uma melodia, mesmo depois de tudo se calar.»

(Cartas de Gould, Recolha da CIA) in Mar - Enciclopédia da Estória Universal -, de Afonso Cruz, p. 14

28.10.15

Anna who was mad, 
I have a knife in my armpit.
When I stand on tiptoe I tap out messages.
Am I some sort of infection? 
Did I make you go insane? 
Did I make the sounds go sour? 
Did I tell you to climb out the window? 
Forgive. Forgive.
Say not I did.
Say not.
Say.


[daqui: palavra invadida]

27.10.15

Unknown

26.10.15

acabar com a palavra escrita. essa infame tentativa de representação dos mil mundos que circunvagam a minha pobre cabeça. quero matá-la. pensei numa faca afiada, detesto o barulho das armas de fogo. apanhá-la pelo pescoço, forçá-la a dobrar, enquanto cacareja, esganiçada, e fazer-lhe um golpe profundo. sentir o sangue quente a jorrar. não quero mais poemas, versos perdidos ou ironia subliminar. quero voltar ao rudimentar, onde os beijos são lábios em movimento, num turbilhão de sensações, imprecisões, e não meia dúzia de verbos e pronomes, empilhados em escombros de uma estante qualquer. não quero partilhar felicidades terceiras, caseiras, que me dão a volta ao estômago estragado. não quero saber, nem da família, nem do cão, nem da vida que está cara, nem do estado da nação. não quero saber. nada disso me fará feliz. não posso tocar, tactear, mapear. vou matar a palavra escrita, deixá-la sufocar. não mais às mensagens, pedidos de resgate, notas de rodapé ou cartas de amor ridículo. todo o amor é ridículo, quando escrito. toda a palavra é excedente. a quente, não consigo pensar. rasgo-a, faço fogueiras, não a quero ler. quero apenas sentir, o arrepio na pele, a boca que seca, de te saber à deriva, de partida, sempre sem mim. esse gosto a sal. não há palavra que me faça lamber o papel, afinal. quero matá-las a todas, prostitutas e proxenetas, fodas, punhetas, nas pracetas, linguetas. são cometas de jornal. quero vê-las desaparecer, finar, morrer, atravessar os ralos húmidos das banheiras. inteiras ou aos pedaços, argamassas toscas intravenosas. não quero mais palavras escritas na minha vida. nem mansas, nem bravas, todas são um corpo que se interrompe, um coito de onã. quero assassiná-las, enquanto dormem na cama dos seus amados, pecados, respirando a irregularidade do seu amor. quero vê-las torcer as suas pontas, espernear, dizer que não. quero ouvi-las guinchar em diapasão. não quero mais palavras escritas, sempre indómitas, prostradas, envenenadas. acabaram-se os bilhetes, os postais, abstractos, escritos a correr. não mais.

25.10.15

onde antes escancarei todas as portas, abro agora uma triste janela. em breve, desconfio, espreitarei pela fresta da cortina, até que mais não receba a luz do dia e feche as portadas de vez. porque, afinal, é esta a minha natureza, a de uma casa desabitada.

24.10.15

Drop the Game

eram como cães raivosos, atiçados pelo aço da corrente, e eu soltava-as para que me rasgassem a carne fraca. agora afogo-as, crias recém-nascidas, ainda dentro de mim, no lodo azedo de que me faço.
 Tammy Ruggles

o velho barracão, ao longe, parece imune à passagem das décadas. asseguram-me que está podre e em breve cairá. lá dentro, ainda chora a menina. a mulher, tentou matar-se esta manhã, segundo dizem, com veneno dos ratos. fixo-lhe o olhar uma última vez, antes de lhe virar as costas. se pudesse, eu própria lhe deitaria o fogo.

23.10.15

Viki Kollerová











Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Milu, em pulgas - pode uma aranha estar em pulgas? pode, com certeza, que aqui tudo se pode - com a possibilidade de ir laurear a pevide para o Saloon com a Miss Smile e a Teresa, num distante velho oeste, deixou-me esta manhã, em cima do teclado, um pequeno papel gatafunhado que dizia assim:

humana, 
Deus é uma grande aranha, pensou manoel de barros e digo-to eu, que me cansei das tuas moscas dietéticas com manias de cidade. vou tomar o atalho e lançar teia no horizonte. 

fui.

ps.: o teu pijama cor de rosa é ridículo.



22.10.15

O mar dentro da árvore, as nuvens 
dentro da terra sem fim, 
a luz. A luz dentro doutra luz 
que limitava as mãos e as abria 
para outras mãos dentro de um olhar. 

(cont.)


[agradeço o Joaquim à maria]

21.10.15

dou voltas, avanço e recuo, o processo torna-se moroso, vácuo. procuro as palavras certas, aquelas que consigam transpor, segundo por segundo, esta sensação opressora de falta de palavras. esta imposição atreita, vazia, de não conseguir o verbo.
a escrita é uma ilusão, uma mentira bem contada em que preferimos acreditar.

20.10.15

Suffering is permanent, obscure and dark,
          And has the nature of infinity.

19.10.15

Almost blue
tinha tudo para ser um dia como tantos outros, mas agora, aqui sentada, despida e descalça, percebo que não foi. a voz, que pelas três da tarde me apanhou desprevenida, fez-me prometer que este natal voltaria a ser em casa. diz-me a voz que o pedido vem da mãe, que este ano, finalmente, deixará o pequeno apartamento e voltará à casa grande, mas apenas pelo natal. sei que fui apanhada na ratoeira, eu não quero nenhum natal, mas deixo-me ficar quieta. a felicidade da mãe vale, à vontade, o frete de uma noite de faz de conta, onde as perguntas se hão-de repetir, adoçadas com olhares de pena e incompreensão. sei muito bem por que detesto o natal, apenas não lhes respondo.

18.10.15

tocavam os sinos para a missa do meio-dia, ele puxou-a por trás, até lhe sentir as nádegas no sexo, e disse, quero foder contigo agora, antes que deus chegue. blasfemo!, respondeu ela, ajeitando-se à carne erecta que a procurava. 
também as mulheres de Orkhon, padecendo da nostalgia das estepes, se masturbam para expulsar os demónios. 
Unknown

era noite ainda. chovia intensamente. o vento, de sul, parecia brando. em cima da mesa, a travessa de biscoitos de erva doce. meto dois no bolso e chamo os cães. descemos a ladeira em direcção ao rio, por entre a erva alta. sentem o cheiro dos biscoitos e não me saem da frente das pernas, quase caio. reclamo, mas eles sabem que finjo. não resisto aos pedinchas e reparto a merenda. avançamos depois até ao velho pomar. há um cheiro adocicado a fruta apodrecida. a chuva bate-me na cara e refresca-me a alma. reparo que as botas de borracha fazem um barulho estranho, quando pisam o húmus esponjoso. sorrio. caminhamos mais um pouco, o rio está perto, consigo ouvi-lo. saí de casa com o peso de um pensamento, se ao menos a corrente, forte, o levasse, se ao menos eu fosse rio e galopasse. deixo-me ficar, quieta, sob a velha oliveira, enquanto os cães alegremente procuram as tocas. a chuva, entretanto, amainou.

17.10.15

aqui, entre montes perdidos, distante da cidade, a luz falta com alguma regularidade. pergunto às mulheres que me trazem alguidares cheios de marmelos qual a razão. encolhem os ombros, nada sabem, talvez seja do vento que abana os postes. antes de abalarem, enroladas nos xailes, aproveitam para me lembrar que a boa marmelada sempre se fez ao lume. digo que sim, espero que não.

16.10.15

Well, I refuse to go deeper
I choose to go blind.
René Groebli

o corpo, detrito cinéreo, trinchei-o, em movimentos pesados, pelas articulações, com a serrinha da avó Matilde. levei meses. as ancas não queriam ceder. tive de lhes abrir um golpe profundo, vulva a cima, vulcão seco, e serrar a partir do osso interior. sujei-me toda com as aparas de carne putrefacta que saltavam ao vai e vem da lâmina rombosa. durante tanto tempo, ficou-me aquele cheiro formolento, fétido, atravessado por larvas brancas e gordas, preso à alma, que vomitava, com uma colher de azeite, todas as manhãs. mas está tudo bem agora, espalhei os restos pelo jardim, e o que os pássaros não comeram, serve de estrume ao mato que por lá cresceu. 
das palavras, fiz fogueiras. ardi em beijos profundos, com febres de graus inacabados, reais e imaginados, todos misturados, labaredas que já nem sei. da luz, fiz-me sombra, depois corpo enxertado, depois cinza poeira e, por fim, rascunho dos sonhos da minha mãe. agora descanso, imóvel, enquanto espero pelas estrelas cadentes, como quando era criança. 

15.10.15

Milu, que descobri escondida num dos cogumelos de aço do candeeiro do tecto, - depois de já lhe ter encomendado a missa de eterno descanso -, reclama, veemente, a minha ausência, escondendo-se logo que acendo a luz da secretária. 
Tem-se medo do poder
da nudez,
A finura da carne: uma unhada
no coração:

Isaim Lozano

não é o vidro que corta a carne, mas as mãos que o tacteiam.

13.10.15

para não te perderes pensas
em deixar marcas pelo caminho
guiar-te pelo barulho dos carros

todos os dias fazes a mala
e improvisas mapas com o lápis

viagens para o muito longe

mas continuas sentada na sala
e os únicos caminhos são
rastos de migalhas e lágrimas

é à sua sombra que vais continuar
a usar o lápis vermelho

e as árvores lá fora são apenas
pontos sem nome marcados
a verde no mapa

11.10.15

vivo dentro de uma metáfora, esquecida nas páginas de um livro, que já foi arrumado numa prateleira rente ao chão. 
O corpo não responde
às vozes de comando,
como um cão estropiado
já desdenha os apelos
os antigos convites
às funestas moradas,
esqueceu-se do ponto
vai olvidando senhas
os códigos das grutas
acumulando lixos
as servidões austeras
diluem-se num canto
o corpo não atende chamadas
não estremece ao ruído da chave
não suporta
qualquer intromissão
secou num aterro,
os restos à vista
a memória escava
da lembrança os rastos
avidamente suga
de tal fausto os ossos,
de tão vitais cerimónias
nos tão secretos barcos
mesmo o pouco que resta
ainda se mastiga.

10.10.15

Noche ciegamente mía. Sueño del cuerpo transparente como un árbol de vidrio.
Horror de buscar tus ojos en el espacio lleno de gritos del poema.

René Groebli

tombei da cama, impelida por um temor momentâneo de que também hoje era dia de semana, maldita semana, e, encontrando-me já desperta, alimentei os animais, evitei, por enquanto, o café matinal e o banho pacificador, li o mundo e partilhei palavras surripiadas, encantei-me com a janela grande, que me oferece os vales da melancolia, e finalmente procurei a Milu. não a vejo desde a manhã de ontem, ou talvez da noite de anteontem. não tenho a certeza, mas tenho uma preocupação: onde está a Milu? fugiu? foi morta pela vassoura da senhora da bata às riscas? hibernou? antevejo a cara trocista do leitor, julgando-me tola, procurando uma aranha esbranquiçada no tecto, mas saiba o leitor que já o poeta, em 1932, ano maldito, bem decerto, lhe dedicou alguns dos seus versos, num poema de triste baloiçar

8.10.15

Paola Blondi

reminiscências de alguma outra vida, onde a fome foi companhia, não sei, certo é que me aflige a imagem da gente que come com sofreguidão. repugna-me aquela avidez. Milu, depois de largas semanas no meu tecto, deve ter-se apercebido deste meu trauma social e mastiga as suas refeições - habitantes do mesmo tecto - com uma lentidão penelopeana. o diabo da aranha, cada vez maior, sabe como me conquistar.