dizem-me que tenha calma, que cheguei cedo demais, que tenho de ensinar as pessoas -- logo eu, que chego sempre no final da festa. aceno ligeiramente a cabeça, para desviar o rumo da conversa, enquanto tacteio a garganta, tentando adivinhar quão perto estará a corda do nó.
13.10.17
7.10.17
plano b:
receando a putrefacção acelerada,
com trinta e três de máxima outonal,
basta alguma varejeira estropiada aparecer;
- não quero que me fotografem apenas o osso,
isso seria a ironia de uma vida inteira -,
talvez adie isto do suicídio para outra altura,
quem sabe no dia de natal,
e hoje vá trabalhar.
receando a putrefacção acelerada,
com trinta e três de máxima outonal,
basta alguma varejeira estropiada aparecer;
- não quero que me fotografem apenas o osso,
isso seria a ironia de uma vida inteira -,
talvez adie isto do suicídio para outra altura,
quem sabe no dia de natal,
e hoje vá trabalhar.
6.10.17
5.10.17
Alimento a esperança de que um dia chegarei a casa com as mãos cheias de ventos. Para já, continua a escapar-me entre os dedos.
há duas noites que me deito com as almas de vento dançando nos canaviais. entrelaçam-se em correntes frenéticas que me assustam, bramindo como o vale lhes pertence. os cães, sentindo-lhes a presença, atiram-se de dentes afiados num ladrar continuo. o medo que se apodera das minhas pernas e do coração que dispara no peito não me impede de as procurar na escuridão da varanda. ouço-as, mas continuo sem lhes conseguir responder. o vento é a alma dos mortos.
3.10.17
se o outono fosse meu*, hoje passava a tarde na floresta - casaco de lã, botas calçadas, Taeko e Yukiko comigo -, saboreando o cheiro da resina e o verde dos fetos tacteados, ao som das ferreirinhas, e só voltava pela hora do lanche, scones mornos com manteiga e doce, chá de tília e marmelos assados, pelas mãos ternas da minha mãe.
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
*movimento outonal iniciado pela Mia, seguido pelo Impontual e pelo Talqualmenteoutro
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