10.11.17

coragem? coragem é mais do que isso, respondo eu. coragem é andar na montanha-russa, para quem sofre de vertigens, terminar uma relação com alguém que tem uma arma em cima da mesa, ditar o fim da linha dos que amamos. o resto não é coragem, é a vida, empurrada como se pode.


preciso urgentemente de não morrer.

6.11.17


#és um hipócrita, Paddy €€@@@€€
se pudesse - como se num conceito pós-moderno de férias -, ficaria durante uns tempos em Niflheim, observadora atenta e discreta, apreciando a cumplicidade e a ternura daqueles dois. faria com eles os caminhos dourados do outono, ora subindo à serra, ora rumando à vila, bebendo chá, ouvindo a poesia das suas palavras simples e comendo dos seus cachos de uvas.
preciso de aquecer o coração.

5.11.17

regresso a casa, mãos dadas com Gógol, e encontro Velho, o gato, pela primeira vez desde que nos conhecemos, recusando-se a comer, prostrado, urinando-se na cama. neste círculo natural da vida, sei que mais tarde hei-de acreditar de que lhe dei uma boa segunda vida e a melhor velhice que pude, mas por agora, que assisto à decadência do corpo magro do meu querido gato, fico à mercê desta sombra pesada que me nasce por dentro, envolta na mortalha da morte.  

2.11.17

mais do que a mão, que entretanto inchou, o que me me dói é o peito de já não poder mais.

1.11.17


-- e nós, porque é que temos de continuar a trabalhar tantas horas todos os dias?...

-- porque queremos ser livres.
será, espero, a última carta dirigida à Dr.ª Vendredi -- os Senhores Doutores mantêm o formalismo até com os defuntos; não me admiro: ninguém muda, no que à conduta diz respeito. pedem à pobre que se manifeste, desconhecendo do poiso de onde se empoleiram que a pobre morreu sem dar cavaco a ninguém. por respeito à amizade que nos uniu durante tantos anos, repletos de sonhos, planos, enganos e desenganos à paulada, decidi hoje - dia dos mortos - entregar a alma de Vendredi à paz que a pobre merece e responder aos Senhores Doutores:

Caríssimos,
Ilustres Senhores Doutores,
Incapaz de alcançar a vossa magnificência, de entender a vossa sabedoria e, sobretudo, de servir às vossas necessidades e imitar a vossa postura, a Dr.ª Vendredi suicidou-se.

29.10.17

até lá, vou discutindo a agenda da semana difícil que aí vem com o sr. Caraças.


a oliveira da Eurídice

Eurídice tinha uma oliveira com quem podia conversar sobre o que lhe apetecesse - até da vontade exótica de criar uma osga em cativeiro. invejei a ideia (não a da osga, que já tenho práqui osgas às dúzias e não preciso de mais nenhuma, nem que venha treinada) e a oliveira de Eurídice, desde o primeiro momento em que, procurando uma imagem na teia digital, as encontrei. falar sozinha, como eu faço, é coisa dos maluquinhos comuns, já a raposa mo tinha dito, mas as plantas de vaso que me adornam a secretária são flora sensível de estufa, que não conhecendo os rigores do frio de inverno, como conseguiriam acompanhar-me nos mistérios da vida? quanto muito, tagarelar deste ou daquela, que vão surgindo no ecrã. dos livros, falo sempre com quem lá mora e o assunto fica arrumado.
com desejos de imitar Eurídice, em busca da minha oliveira, dei por mim à procura de uma árvore da vida, dessas que sabem das fissuras da alma, dos líquenes foliosos e dos bichos da madeira. já tomada a oliveira por Eurídice, procurei na minha infância a nogueira gigante do avô alberto. magistral, imponente - demasiado grande, concluí, não dá para trazer para o quintal. a tília bonita da minha mãe, o cedro do meu irmão, as minhas framboeseiras, a cerejeira onde caí, mas nada me pareceu ter filosofia linguística suficiente.
Eurídice há muito que se ausentou para local incerto, tendo levado a oliveira consigo, agora nem a oliveira da Eurídice, nem uma árvore só minha. continuo em demanda.

28.10.17

Si, quiero imágenes bellas pero no busco una postal y dentro de todo esto me interesa el paisaje. Además tengo mucha influencia del idealismo alemán buscando la relación que hay entre hombre y entorno. Por esto me gustan los paisajes desolados y silenciosos sin ningún estímulo externo que los contamine. La búsqueda de silencio, ese concepto que describía Kant: la contemplación. Elemento base para llegar al instante pleno, al lugar donde se expande la conciencia. (***)

Carla Fernández Andrade


22.10.17

yukiko é sempre a primeira a levantar-se para regressar, só depois de a ver percorrer alguns metros é que taeko se ergue da cama improvisada nas ervas. conheço-lhes o caminho, tenho cerca de três minutos para acabar este texto, se vierem sempre a direito. três minutos para dizer alguma coisa que valha, antes que yukiko e taeko entrem pela porta de serviço. enquanto procuro as palavras certas, - ou certeiras, dir-me-ia o Damas, se tivesse dormido comigo esta noite, mas faz tempo que não vem -, para limpar a névoa densa que se instalou no meu sorriso. a manhã está fresca, mas cá dentro, com o sol a lamber-me as pernas e o cheiro do café por beber, só a alma se mantém agasalhada. caminham lentamente, as minhas andorinhas gordas, vejo-as daqui e continuo a teclar. marlon brando, atrevido, aproveitou a porta aberta e passeia seguro pela casa inteira. sacana do gato: lá pra fora, marlon brando! podem vir cansadas, mas taeko não resistirá à infrutífera perseguição. marlon brando, na sua passada gingona, vai-se embora apenas porque quer. resta-me pouco tempo, melhor será que comece já a escrever alguma coisa do que quero dizer. não é fácil apalavrar a saudade do corpo que renasce na mão do outro. a distância corrói-nos as certezas, palavras do Damas, ámen. yukiko chegou, feliz na sua canseira, e pede-me todos os mimos a que tem direito. eram tres minutos -- sem acento, que teclo apenas com o indicador direito.

19.10.17

não chores em frente ao teu pai, minha filha.

lembrei-me delas hoje, quando vi a rapariga lavada em lágrimas, sozinha no corredor, tentando esconder-se entre o branco das paredes e o cinzento do chão. a dor de uma morte anunciada.

15.10.17

reconheço o voo de um morcego, no sopro quente da noite, enquanto taeko e yukiko descem a ladeira. chia, agitando atabalhoadamente as pequenas membranas. talvez depois da caça - e a noite promete - se junte a mim outra vez. que belo par de dança faríamos os dois.
é o bafo do diabo!, grita Cirilo, antes de tapar a boca e o nariz com o lenço vermelho. avançamos naquele deserto de terra fina que o vento levanta em remoinhos bravios. o ponteiro marca 34º. devem estar bonitas as avenidas da cidade grande, murmura Petra perto de mim, ajeitando o pano do rosto, com as folhas a dançar no asfalto. continuamos a caminhar, carregando o cansaço mudo às costas. sem nos darmos conta, arrastamos os pés pelo chão castanho, pequenas dunas intermináveis, numa busca sem propósito. alguns de nós, entre as rajadas de vento, começam a soletrar nomes estranhos de doenças, enquanto os restantes encolhem os ombros, gemendo que é só cansaço. ninguém se atreve a desejar a chuva em voz alta, temendo o peso da lama nas botas. é o bafo do diabo, grita outra vez Cirilo, anunciando a trovoada que está a caminho, temos que nos despachar!
é feroz o cansaço que me cavalga, depois de uma noite inteira deambulando pelos corredores deste labirinto sem fim.

13.10.17






...
No centro da cidade tumultuosa
no ângulo visível das múltiplas arestas
a flor da solidão crescia dia a dia mais viçosa

...

cereja, Beta, hoje é cereja! e um flute de champagne, se faz favor!
e a Beta ri-se, [e eu gosto de fazer rir a Beta, que é uma moça simpática,] e manda-me sentar na cadeira almofadada.
dizem-me que tenha calma, que cheguei cedo demais, que tenho de ensinar as pessoas -- logo eu, que chego sempre no final da festa. aceno ligeiramente a cabeça, para desviar o rumo da conversa, enquanto tacteio a garganta, tentando adivinhar quão perto estará a corda do nó.
eu, que de bom grado voava numa vassoura de casa para todo o lado, que adoro gatos em qualquer cor de pêlo e vejo nos cemitérios excelentes passeios culturais, nunca pensei poder vir a temer isto das sexta-feiras 13. vai mau o dia, hoje.

7.10.17

aos sábados à noite, o bando, grupo indefinido de esconjurados, junta-se para disfarçar a solidão. na urgência de uma desordem que os distraia, cada um procura o seu pecado pessoal. hoje, eu escolho hibernar.








...
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

...
plano b:

receando a putrefacção acelerada,
com trinta e três de máxima outonal,
basta alguma varejeira estropiada aparecer;
- não quero que me fotografem apenas o osso,
isso seria a ironia de uma vida inteira -,
talvez adie isto do suicídio para outra altura,
quem sabe no dia de natal,
e hoje vá trabalhar.
plano:

vou encher a banheira,
decorá-la com espumas termais,
a garrafa de krug gelada,
a carne depilada,
e afogar-me com estilo.
uma morte digna de ser televisionada,
partilhada nas redes sociais.

6.10.17

não vejo outra solução, tens de a matar, diz-me Tristan, quando terminou de ler. nunca findará.

5.10.17

trago Boris Vian e António Franco Alexandre na mala. as formigas e aracne. sinto-me afortunada com tão bela companhia.
Alimento a esperança de que um dia chegarei a casa com as mãos cheias de ventos. Para já, continua a escapar-me entre os dedos. 

                                                                                                                                      Tétisq


há duas noites que me deito com as almas de vento dançando nos canaviais. entrelaçam-se em correntes frenéticas que me assustam, bramindo como o vale lhes pertence. os cães, sentindo-lhes a presença, atiram-se de dentes afiados num ladrar continuo. o medo que se apodera das minhas pernas e do coração que dispara no peito não me impede de as procurar na escuridão da varanda. ouço-as, mas continuo sem lhes conseguir responder. o vento é a alma dos mortos.

3.10.17

se o outono fosse meu*, hoje passava a tarde na floresta - casaco de lã, botas calçadas, Taeko e Yukiko comigo -, saboreando o cheiro da resina e o verde dos fetos tacteados, ao som das ferreirinhas, e só voltava pela hora do lanche, scones mornos com manteiga e doce, chá de tília e marmelos assados, pelas mãos ternas da minha mãe.

Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros







*movimento outonal iniciado pela Mia, seguido pelo Impontual e pelo Talqualmenteoutro

1.10.17

com a ideia de me convencer de que vale a pena ir votar  daqui a pouco - ou desenhar pilinhas falantes no boletim - num dos vários aldrabões cá do burgo, decidi manhã cedo ir lavar as latrinas do gatil. não podendo remover o estrume camarário, - espaço, garantidamente, com mais corrupção e compadrio por metro quadrado -, sempre limpo alguma merda.

29.9.17


para terminar, de uma vez por todas, com a ditadura mercantilista dos bloggers do costume, repetideiros enjoativos, plagiadores de segunda (quando não de terceira), supermamãs em fotocópia e donas de casa sem grande jeito,

nestas eleições, eu voto Palmier Encoberto


26.9.17

quando calha não haver batatas para apanhar, a enxada fica tombada a um canto e eu dedico me a lavar vidros nas lojas de lisboa. é raro alguém dar por mim, enquanto aplico a minha arte de ensaboar e limpar. Cirilo tem uma teoria para a minha suposta invisibilidade, as pessoas têm vergonha de olhar para quem limpa, porque se lembram que são umas porcas! não sei se será mesmo assim. Jasmim também contraria e insiste que a culpa está no tique snob dos citadinos, que constroem a sua hierarquia de sucesso baseada no uso profissional dado às mãos. portanto, conclui Jasmim, não é vergonha, Cirilo, é desprezo! seja o que for, não me interessa, respondo aos dois.
mas esta manhã, quando já tinha terminado a limpeza do pequeno espaço, bem no centro da cidade, e caminhava de mãos limpas para a rua, eis que uma senhora dos seus setenta prateados se me atravessa no caminho, em difíceis manobras com a porta de vidro. gentilmente, abro-lhe a porta, e, num sorriso genuíno, ofereço-lhe um bom dia. na sua toilete cuidada, onde nem as pérolas faltavam, olhou-me de alto a baixo e seguiu caminho. ui... pois que deve ter baixado em mim a gaja do cais do sodré em meias de rede e naifa no bolso, e sem me poder conter, atiro, e obrigada, também não sabe dizer, minha senhora?! aguardo. a madame, meio de esguelha, roda o torso esguio a quarenta e cinco graus e zinguerreia, sua mal-educada!
minha gente... a baiana rodou a saia toda nas minhas calças apertadas, um raio cegou-me os côncavos dos olhos logo ali -- e a velha máxima de não dar importância a quem não a tem foi aliviar a bexiga ao um silvado longe. em tom duas casas mais alto do que o razoável, dicção esmerada, respondo-lhe, mal-educada é a senhora, que sendo mais velha, devia dar o exemplo e nem agradece, nem cumprimenta. e já mais baixo, termino, pérolas a porcos, é o que é. e com este belíssimo acto de vida, abandono o local.
acabei por dar razão a ambos os rapazes...

25.9.17

Milu, quieta no canto do costume, pede-me um poema do livro preto, aquele que Milu jura ter sido escrito pela sua prima Alexandrina, em compadrio com o grande poeta: Aracne.


Olhar dentro do espelho deu-me ideias
do que seria um animal perfeito;
já penso transformar-me, ter maneiras,
asas talvez, ou tromba vigorosa;
dizer adeus aos fios, e adquirir
o encanto popular de um percevejo
ou o hieratismo de uma louva-a-deus.

Ser outro é privilégio de quem tece
na face do destino um transparente
véu, e ao vão casulo
prefere a superfície de uma folha;
com muito estudo, poderei crescer
até figura de homem, se me der
para ser a ti mesmo semelhante.

Perder amigos e vizinhos, ver
à minha volta um assustado espanto,
posso aceitá-lo, se for esse o preço
de uma forma mais fina e elegante;
só me custa deixar, no chão da teia,
a arte de inventar que me conheço.

Melhor seria que mudasses tu; mas,
metaformoso como és, não vais
cair na esparrela de trocar
o teu corpo que sabe a mar e luz
pela velha virtude de um insecto.

Diferentes assim, não vejo como
iremos construir casa comum;
talvez me deixes habitar o tecto,
e te deixe eu morar dentro do espelho.


/António Franco Alexandre, Aracne/
ah, grande tragédia hoje a minha, de passo corrido, a cestinha a dar a dar, que o poeta não se há de demorar na bancada dos enchidos, cem gramas de fiambre são segundos a fatiar, e eu perdida nos iogurtes, tanto queijo, que perdição, e elas todas, fêmeas de almas insensíveis, encharcadas de volúpia, a dificultar-me o caminho. quando cheguei, numa das mãos a caixa das uvas sem grainha para lhe oferecer, creio que ainda o vi, perdendo-se na multidão do frango assado com molho de limão e piripiri caseiro. foi então que a cigana se me chegou, menina, diz-me quanto custa este pão, que eu não sei ler?, e eu, tomada pela cara envergonhada da mulher, deixo escapar de vista o meu doce poeta e avanço para a prateleira.
Para trás ficaram portos,
ilhas,
lembranças,
cidades,
estações do ano.
à atenção do leitor inventado:

nestes dias, semanas já, de canseira e pó da terra,
nada de mais admirável há a registar,
para além do costume na apanha da batata,
miúdas p'ra um lado, grossas p'ró outro,
pegar com gentileza para não maçar,
lembro o voo nocturno de um morcego,
[tão pequenino, o morceguinho]
que há duas noites apareceu no meu quarto.

mamíferos os dois, ele de preto, eu tão nua
rodopiámos pela casa inteira,
até que, à porta aberta, no final da dança,
ele partiu,
eu fiquei.


bem-haja, amigo leitor, mesmo que inventado,
por estar desse lado,
e ainda se encantar.

17.9.17

POSTSCRIPTUM

vou destruir todas as imagens onde me reconheço
e passar o resto da vida assobiando ao medo
Vivir consiste en ir perdiendo cosas:
el timón del aire en los cabellos, los amores,
los recuerdos, los remos de los días felices.

Al decirles adiós con la mano dejamos
en el aire la cáscara de la despedida,
vemos pasar sin nadie las bicicletas
camino del óxido, ardiendo sin sonido.

Otros inviernos han cegado las linternas,
apagado los prismáticos y nos hallamos más lejos.

La cerveza de jengibre la bebió el sol del ocaso
y el pastel de carne, como a la infancia,
se lo han comido las moscas.


/Última mirada a la isla de Kirrin/

12.9.17

o narrador abana a cabeça, desiludido. nada daquilo fazia sentido. ninguém se dignava a contar a verdade, enrolando a história em infames contradições.
talvez J. Eustáquio de Andrada ainda consiga pôr mão em tamanha embrulhada....




[não aceito notas negativas, azedumes e maus olhados, muito menos criticas construtivas, à troca de bola, passe curto, bem sei, que aqui fica. quem não gostar que venha apanhar batatas comigo!]

11.9.17

All animals are equal but some animals are more equal than others.

10.9.17

Toda a gente gosta dela, da Tamina. Porque sabe ouvir o que lhe contam.
Mas ouvirá realmente? Ou limita-se a olhar, tão atenta, tão silenciosa? Não sei, e não tem muita importância. O que interessa é que ela não interrompe. Sabem o que acontece quando duas pessoas conversam: uma fala e a outra corta-lhe a palavra -- É exactamente como eu, eu...

/O Livro do Riso e do Esquecimento/
um domingo livre de vez em quando, foi a única exigência a si própria. hoje calhou ser esse domingo.
dormiu.




obrigada, nativos.
admitiu que o isolamento em que procurava a paz podia ser tão perigoso como um abismo.

às vezes sou nada mais do que lodo
um nauseabundo lodo parado

9.9.17

aviso amarelo de vento no ecrã,
mais um dia para ter cuidado com os atiradores de facas

7.9.17


Gerda Taro e Robert Capa


To photo, to record meat lumps and war,
They advance as does his chance -- very yellow white flash.
A violent wrench grips mass, rips light, tears limbs like rags,
Burst so high finally Capa lands,
Mine is a watery pit. Painless with immense distance
From medic from colleague, friend, enemy,
foe, him five yards from his leg, From you Taro.
Do not spray into eyes -- I have sprayed you into my eyes.
3:10 pm, Capa pends death, quivers, last rattles, last chokes
All colours and cares glaze to grey, shrivelled and stricken to dots,
Left hand grasps what the body grasps not -- le photographe est mort.
3.1415, alive no longer my amour, faded for home May of '54
Doors open like arms my love, Painless with a great closeness
To Capa, to Capa Capa dark after nothing,
re-united with his leg and with you, Taro.
Do not spray into eyes -- I have sprayed you into my eyes.
Hey Taro!
ainda vinha a guerrear comigo, a tentar-me convencer-me de que o gatinho junto ao portão aberto, tinha mãe e donos, que com certeza haveriam de tomar conta dele, e voltar a trás e roubar o gato não seria um salvamento, seria sim estranho -- mas o pobre tão rente à estrada... --, quando o vejo, altivo, em cima do muro, à minha espera. corto gatês, o meu querido gato cinzento, pirata intrépido das searas, doce animal. é raro o dia em que chego a casa e corto gatês não está para me cumprimentar, mesmo chegando eu tão tarde, mesmo chegando já tão poucas vezes. 
invejo o homem a quem pago para vir todos os dias.
parabéns, Susana!






geometrical cake designs by dinara kasko

4.9.17

é simples, basta que te dispas, me abraces e te deites comigo.

2.9.17

daqui a pouco farei a mala para partir novamente. vale-me a roupa comprada à pressa na superfície comercial da vila, como quem compra um pacote de leite num domingo de manhã. na sala das máquinas, pode dizer-se que o monte atingiu proporções épicas. ainda preciso de ir ao supermercado no instante comprar comida para os animais, pondero um banho de chuveiro. em cima da mesa da cozinha, jazem já os cinquenta euros para pagar os serviços de pet sitting. se morrer na estrada, este blog ficará ao abandono, se voltar, será como se nada tivesse sido e a única preocupação há de ser lavar toda aquela roupa suja.

1.9.17

Sonhando, as árvores crescem ao contrário.