- E pró Feliciano não vai nada, nada, nada?
- Tudo!!
mas que bela comédia.
18.3.18
16.3.18
senti-me uma Thoreau dos tempos modernos, Jolly Jumper trotando na estrada estreita, outrora caminho de cabras e ovelhas decerto, os máximos indicando o destino, quando o vejo pousado no chão: Mokambo*. guinada à esquerda, que o bicho parecia colado ao alcatrão, e eis que Jolly Jumper, com os seus cascos angelicais, quase trucida um coelho, igualmente estático, quiçá em fervoroso namoro com a ave. não será fácil também para a bicharada esta coisa do multirracial, imagino o preconceito de ambas as famílias, os Athene noctua e os Oryctolagus cuniculus, preocupadas com o bom nome de cada uma e as descendências vindouras. e então será isso, corações palpitando, os dois encontram-se naquele caminho, madrugada alta, quando todos dormem, menos esta que aqui vos tecla. imagino-lhes o susto, Mokambo, atarracado como sempre, levantou voo e rasou a fuça de Jolly Jumper, Bugs Bunny activou as molas do traseiro e desapareceu por entre o mar de erva. espero que voltem e se forniquem à exaustão dos seus pequenos corpos, porque o mundo precisa é de amor e fricção.
/*para mim, qualquer mocho-galego que apareça será sempre Mokambo/
15.3.18
Não há laranjas ou brasas ou facas iluminadas
que a vingança não afaste.
que a vingança não afaste.
preciso desesperadamente de um cigarro, ou de uma marreta que desfaça crânios casquinados à primeira. logo eu, que nunca me consegui viciar na nicotina, apesar de a ter inspirado, e aprecio sem entraves a estrutura óssea de uma mulher interessante. será dos pés frios?
14.3.18
[não é que sejamos invisíveis aos seus olhos, somos apenas, e apenas só, insignificantes, minguados de interesse que os mova até nós, ao que dizemos, ao que queremos mostrar, mais longe ainda, ao que procuramos esconder. e a vida, este continuum de dia após noite após dia, obriga-nos a mais uma lição, alguns de nós, julgando-se, nada temos de especial.]
gisele chegou hoje, mal dando tempo de mudar os lençois onde felix dormiu feroz. a verdade é que já nenhum de nós acredita que ainda seja possível salvar o mês, nem mesmo Petra, que iniciou esta manhã um jejum espiritual. talvez tudo esteja condenado desde o princípio, talvez seja apenas mais uma fase, coisas do tempo. é sempre nos cruzamentos que temos tendência a enganar-nos.
13.3.18
a chuva não traz apenas a quebra no negócio da lavagem de janelas, o pior mesmo são os índices de irritabilidade, os pagamentos em atraso e a perda de cabeças no bando. perdidas as cabeças, é cada um por si e todos pelos decibéis estronços. casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, apetece-me dizer, mas estrafego a veia proverbial e provinciana ao silêncio, pois qualquer palavra que fique a pairar sobre as cabeças perdidas só traz novas discussões. cortámos nos croissants au beurre, agora só bolachas integrais de limão, trocámos os tinteiros vip pelos enlatados, varremos o chão e desinfectamos a sanita com as próprias mãos enluvadas, deixando no desemprego a D. Suely das limpezas. já ponderei libertar Jolly Jumper em terreno baldio e passar a deslocar-me a pé, mas Cirilo, enquanto troveja gafanhotos, garante que a ideia é estúpida. Bartolomeu concorda, desnorteado. e eu pergunto, calada, onde irei buscar o dinheiro para os fardos de palha.
Cirilo volta à carga, esmurrando a mesa ruinzinha, trazida lá dos lados de frielas e montada por mim com chave de cruz. a ideia é esmurrar da mesma forma a fuça de cada um dos que ainda não pagaram as lavagens, mas tem de ser tudo feito com muito cuidado, sob o manto escuro da noite, na calada da viela. Bartolomeu suspira, parece-me que já está por tudo, Jasmim mantém-se em silêncio, Petra pede calma e tenta empurrar a ideia de Cirilo para uma pré-reserva, enquanto ela mesma telefona aos sem-vergonha. Cirilo urra Nãos com exclamação, porque essa gente não tem carácter, diz que sim e vira as costas, Não! Não! Não! eu assisto, dói-me a cabeça, parece-me tudo tão difícil. é que nem a roupa seca com este tempo e as peças estão contadas...
Cirilo volta à carga, esmurrando a mesa ruinzinha, trazida lá dos lados de frielas e montada por mim com chave de cruz. a ideia é esmurrar da mesma forma a fuça de cada um dos que ainda não pagaram as lavagens, mas tem de ser tudo feito com muito cuidado, sob o manto escuro da noite, na calada da viela. Bartolomeu suspira, parece-me que já está por tudo, Jasmim mantém-se em silêncio, Petra pede calma e tenta empurrar a ideia de Cirilo para uma pré-reserva, enquanto ela mesma telefona aos sem-vergonha. Cirilo urra Nãos com exclamação, porque essa gente não tem carácter, diz que sim e vira as costas, Não! Não! Não! eu assisto, dói-me a cabeça, parece-me tudo tão difícil. é que nem a roupa seca com este tempo e as peças estão contadas...
8.3.18
7.3.18
3.3.18
2.3.18
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