DEUS
Deus não me pede nada,
mas eu culpo-o de tudo.
|in Erosão|
20.5.19
15.5.19
mil homens,
bestas de cascos afiados,
relinchando trovões, penetrando-me, rasgando orifícios,
pântanos de sangue e de fezes,
urinando-me as feridas abertas da cara.
mil homens cuspindo-me o nojo,
derramando sémen nos meus olhos abertos,
até não haver mais círculos de fogo.
mil homens enjaulando-me,
nua, numa praça qualquer.
oferecendo a minha boca ao público animal, que zurra, na antecipação,
vendendo a minha cona a todos os mercadores,
velhos senis
que masturbam membros defeituosos.
mil homens
silvando a mesma tira de couro nas minhas costas,
nas minhas mãos,
nas minhas mamas,
noite após noite, até adormecer.
bestas de cascos afiados,
relinchando trovões, penetrando-me, rasgando orifícios,
pântanos de sangue e de fezes,
urinando-me as feridas abertas da cara.
mil homens cuspindo-me o nojo,
derramando sémen nos meus olhos abertos,
até não haver mais círculos de fogo.
mil homens enjaulando-me,
nua, numa praça qualquer.
oferecendo a minha boca ao público animal, que zurra, na antecipação,
vendendo a minha cona a todos os mercadores,
velhos senis
que masturbam membros defeituosos.
mil homens
silvando a mesma tira de couro nas minhas costas,
nas minhas mãos,
nas minhas mamas,
noite após noite, até adormecer.
mil homens despedaçando o meu corpo, queimando o meu centro, acalmando a minha dor.
11.5.19
7.5.19
Quando te perguntarem por mim,
diz-lhes que morri,
que me matei,
que me mataram,
que foi melhor assim.
Diz-lhes que levem tudo e o dividam irmãmente,
que paguem apenas
o impolido funeral.
Que não quero rezas,
nem cânticos,
nem orações.
Que rezar me faz mal,
me crucifica por dentro.
Maldigo o lamento, tortura, blasfémia, intento.
Maldigo o meu ser.
Que não quero cremações.
Arder,
hei-de arder no inferno,
se o houver,
e apenas quando a Satanás aprouver.
Diz-lhes,
anda, corre, vai, alminha.
Vai dizer-lhes que venham,
que já tudo é deles.
Vai,
some-te da minha vista.
Anda, deita-te a correr,
que a vida é curta e eles hão-de querer saber. Dos herdos,
hão-de querer receber o quinhão,
maldito mês,
maldito chão,
maldita eu,
pária feita mulher.
Não lhes digas que ainda vivo,
que choro,
nem do frio que me faz tolher.
Que o útero é podre, que a fonte secou, jano partiu, juturna ficou.
Sentenças inacabadas.
Perdão, que lhes peço perdão, mil perdões. Negações. Predestinações. Óreas escaladas.
Grita-lhes, se preciso for.
Vai-te daqui, some-te. Andor!
24.4.19
23.4.19
passou por nós no centro comercial, enquanto bebíamos café, de cabelos azuis e argola no nariz.
- observa, Alicinha, como tu e aquela rapariga são parecidas.
- como assim, Damas?! nada que ver...
- olha que sim. ambas se escondem do mundo, ela mudando a aparência de forma radical, tu não mudando merda nenhuma. há anos que tens esse corte de cabelo. um dia destes até tu te esqueces de ti.
anda azedo o Damas. doeu, mas não contrapus.
22.4.19
19.4.19
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