Maurice parece-me ser companhia solar para a manhã de domingo, mas agora, enquanto folheio o seu corpo de bestiário encantado, descubro a coruja e fica-me a dúvida. afinal, o homem foi gravemente ferido na guerra e isso há de ser coisa para muitas noites sem dormir.
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A coruja não regressava de repente. Girava à volta do campanário, metia-se debaixo de um quebra-som, voltava a sair para um breve circuito, e aninhava-se de novo no seu abrigo. Já era quase dia. O voo não fazia nenhum barulho. As pontas flexíveis das penas retrizes curvavam-se ao toque do ar. Mas a cada passagem, ela gritava. E esse queixume, e essa forma vaga deram vida em mim ao sentimento inesquecível de uma pequena alma sofredora, pálida e fiel, que planava sobre o sofrimento dos soldados.
Maurice Genevoix, Bestiário Encantado



