Beta, a moça do salão onde vou cada vez menos, confidencia-me o último escândalo, que a rapariga foi contratada para fazer as férias da Lurdinhas e da Paula, mas que a coisa correu mal logo na primeira semana. vinha cheia de saberes, que tinha tirado o curso na escola não sei do quê e que tinha aprendido com os melhores hair stylists e já sabe como é, a gente já cá está há tanto tempo a virar frangos, vem agora uma mafarrica armada aos cucos e a gente não tem paciência. mas o pior nem foi aqui connosco, continua a Beta, foi com as clientes. com as clientes?! inquiri eu com algum espanto, deixando-me levar pelo enredo. com as clientes!, a Beta até abre os olhos para enfatizar a resposta. então veja lá que começou a criticar os cabelos das clientes, que vinham todos espigados, que vinham mal cortados, que a cor que estavam a escolher não era para o tom delas, a uma cliente habitual disse-lhe que tinha a cabeça cheia de caspa, que era um nojo e devia ir ao médico, ai meu deus!, dessa vez ficámos todas pr'a morrer, a senhora tem uma doença que lhe escama o couro cabeludo, coitadinha, ficou tão envergonhada. não acredito!, exclamei, acreditando. é verdade, era mesmo parva, o raio da rapariga. não durou cá quinze dias, a D. Gina meteu-a logo a andar. olhe, não entendo, a sério que não entendo, ensinaram-lhe tanta coisa lá na tal escola e não lhe ensinaram o mais importante, que as mulheres são muito sensíveis com o cabelo?
caramba, se somos, Beta, se somos.