27.12.19

tempestade



vira costas e avança contra o vento frio da manhã que lhe queima o rosto. em fuga, acolhido pela tempestade, dá firmeza ao passo para prosseguir. as correntes de ar, geladas, querem roubar-lhe o chapéu, abrir-lhe o casaco, travar-lhe a ideia, mas não chegam para demovê-lo. é a outra tempestade, a que lhe revolve o interior, que o atormenta e é dela que foge. é de si que tem frio.

24.12.19

boas festas, muitas flores

Floris Iter by McQueens Flowers, London







































boas viagens, saúde e muita serenidade para todos vós.

23.12.19

alcoviteiras

vivem nas varandas traseiras das vivendas geminadas e vestem robes escuros. vejo-as melhor quando subo a ladeira, atrás dos cães. são avós orgulhosas, enquanto chamam os petizes que brincam no pátio do rés-do-chão, mas continuam a ser mães com mão de ferro, falando ríspido com as mulheres que às vezes também vão à varanda e não dizem nada. olham fixamente quem passa, sem pudor, como se tudo lhes pertencesse ou devesse explicação. estranhamente, não se dão umas com as outras, talvez por questões de segurança, não vá o ego de alguma explodir, enquanto gaba a descendência. confesso que sempre que posso, levo os cães a defecar* junto à vedação, enquanto olho para elas também.

*obrar, evacuar, estercar, dejectar, etc, etc, etc

«Qualquer caminho leva a toda a parte./ Qualquer ponto é o centro do infinito.»


Path in Snow 

20.12.19

Guerra das Bloggers

A long time ago in a galaxy far, far away...


a (minha) blogosfera viveu a sua maior aventura, o resgate de MuMu, a vaca sagrada. eram outros tempos, tempos em que a Capitã amava apenas o som do mosquete e o cheiro da pólvora, a representante da máfia russa não vivia na ociosidade dos pincéis, retratando as suas vítimas em telas gigantes, o primo directo do Príncipe deposto da Roménia não ia de férias todos os quinze dias e a Chef da maior quadrilha de açúcar e refinados do norte controlava a distribuição com mão de ferro.  tempos gloriosos onde um grupo de destemidas guerreiras, mulheres de salto alto e garrafa de aguardente no bolso que nunca vacilam perante o lado negro da blogosfera, avançou sem medos e salvou a vaca mais bonita de toda a blogosfera (que, recordo-vos, era minha e não da Susana).

tenho saudades de todos vós, aos que pelejaram comigo, contra mim e aos que assistiram, com o balde das pipocas na mão. 

que a Blogosfera esteja convosco!

18.12.19

e quando é que morres?

esta chuva não dá jeito nenhum, diz alguém do grupo que o acaso sentou na mesa ao lado. penitenciei-me em silêncio por não ter ficado na mesa solitária, junto à cozinha, que o empregado me tinha sugerido. ando farta de grupos que relincham gargalhadas como se a sala do feno lhes pertencesse. 
a meio de uma conversa onde a mulher mais próxima de mim, imbuída no espírito hipócrita da época, ia criticando a indumentária da bebé de uma amiga ausente, nas fotografias que uma outra lhe mostrava no telemóvel, o pequeno jovem, não mais de 5, 6 anos, pergunta, avó, que idade tens? a avó, sentada ao fundo, no canto da mesa, sorriu-lhe e disse, 83, meu filho. o pequeno jovem franziu a testa e candidamente acrescentou, tantos?! e quando é que morres?
...

17.12.19

a suave incapacidade de encontrar um sentido

que dizer de mim e de agora, quando descubro que não quero saber as respostas, muito menos quero perguntar. Damas, dandy reciclado de Monfortinho, ajeita o lenço de seda e ri-se. jocosamente, diz-me que, por mais que me esforce, não será assim que conseguirei desaparecer. o esconderijo mudo é mais uma fuite en avant, profetiza. mas, afinal, que sabe Damas da nobre arte de ficar quieto, ele, mariposa que esvoaça tonta em volta da luz? gosto deste silêncio que faz por dentro, quando caminho entre o mundo e ninguém me vê.

16.12.19

um rebanho de garças-boieiras

é o segundo dia que as vejo, um bando de garças-boieiras pastando à chuva, no campo verde do homem, ainda por lavrar. se há quem sonhe com um rebanho de ovelhas para conduzir todos os dias até ao sopé da serra, eu sonho, acordada, com o meu rebanho de pequenas garças, enquanto bebo o café. 

Ohara Koson

18.11.19

16.11.19

o desafio insano

foi insano, emotivo, assustador, engraçado, saudosista, às vezes mal conseguido, mas sempre escrito com a melhor das intenções, chegar a vós, tocar-vos, agregando as vossas palavras.

grata a todos os que quiseram fazer parte.






noname - texto 

luis & alexandra - texto

susana - texto

sónia - texto

ujm - texto

ana p - texto

janita - texto

maria eu - texto

paula - texto

impontual - texto

linda blue - texto

lucio ferro - texto

luisa - texto

tétisq - texto

ana - texto

~cc~ - texto

alexandra - texto

mau-tempo - texto

espiral - texto

be - texto


e assim se festejou o quinto aniversário do tasco.