1.1.20

os amigos

...
a solidão transformou-os de novo em dor
e nenhum quis pernoitar na respiração
do lume

ofereci-lhes mel e ensinei-os a escutar
a flor que murcha no estremecer da luz
levei-os comigo
até onde o perfume insensato de um poema
os transmudou em remota e resignada ausência
2020, nada começa: tudo continua.

01.01.2020

31.12.19

passas&pinhões

o que eu queria era ver-te antes do ano morrer sozinho numa praia qualquer do pacífico.

Ballad Of A Thin Man


/original de Bob Dylan/

30.12.19

o Bando em 2020

Sophia quer encontrar o homem da sua vida, casar e ter filhos, Petra quer partir para o Tibete e viver num mosteiro, Jasmim quer encontrar o amor da sua vida e ser feliz, Tristan quer dedicar-se apenas à escrita e viver sossegado na aldeia, Cirilo quer comprar a sua Bonneville Bobber e partir pelas estradas secundárias da Europa e Bartolomeu quer emigrar para o Canadá ou para a Austrália e não regressar nunca mais. muito mudou desde que este grupo de esconjurados, párias da sociedade formatada, se juntou para cumprir um sonho impossível, serem independentes. 2020 é ainda um grande ponto de interrogação.

...

a História não tolera o vazio. Se a incidência da fome, das epidemias e da guerra está a diminuir, haverá algo destinado a substituí-las na agenda da humanidade. 

depois de (Homo) Sapiens, leio Homo Deus, o autor é Yuval Noah Harari.

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termino o ano comendo tangerinas do jardim da madrinha.

28.12.19

...

[se ficares em silêncio, se não fizeres barulho, não te mexeres, o colchão não chiar, o livro não tombar, talvez ele se esqueça de ti e não venha visitar-te à cama. o frio que sentes é o suor que te escorre na pele, um medo líquido que te gela inteira e nunca esquecerás em toda a tua vida.]

Sept. 3, 1962

I want to be able to be alone, to find it nourishing - not just a waiting.
Hippolyte says, blessed is the mind with something to occupy it other than its own dissatisfactions.

Susan Sontag, Reborn: Journals and Notebooks, 1947-1963

a soft murder

To photograph people is to violate them, by seeing them as they never see themselves, by having knowledge of them that they can never have; it turns people into objects that can be symbolically possessed. Just as a camera is a sublimation of the gun, to photograph someone is a subliminal murder - a soft murder, appropriate to a sad, frightened time.

― Susan Sontag, On Photography