30.3.20

o fim de março, deus da guerra

a ideia disto dos posts de quarentena, era levantar a moral das tropas, como aquelas miúdas giras de pernas à mostra e gargalhada solta, cantando para os militares. porque todos sabemos que é importante resistir, não perder o norte à vida. e rir, gozar, inspirar o momento sem pensar no futuro, o que noutras alturas poderia ser o nosso deslize mortal, parece agora a salvação, enquanto aguardamos. 
difícil é hoje continuar a fazer frio, mas em breve será abril.

29.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #12

algo mudou hoje em mim
e não foi apenas a hora.

28.3.20

...

salvá-los é resgatar o melhor de mim, dar-lhes comida, saúde e amor, mantém-me sã. da mesma forma que o seu sofrimento me causa dor, a sombra da sua morte me apaga também.

O que choro é diferente./ Entra mais na alma da alma./ Mas como, no céu sem gente,/ A nuvem flutua calma.

Flor

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #11

por este andar, se a quarentena durar até maio /nosso senhor nos livre de tal dor/, talvez consiga chegar lá, ao peso mais bonito de que me lembro, cinquenta e cinco quilinhos. mas por agora, hipopótama magricela ou baleia raquítica, ainda não chego sequer aos cinquenta /vestida, que me pesei na balança do veterinário, olhó respeitinho! 
não compensam os constantes bolos de chocolate feitos na máquina do pão /quem não tem cão, caça com o que houver, {só tenho medo da diabetes}, aquilo que me rouba a ansiedade.


eu, na minha cabeça, ralhando comigo

27.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #10

Unorthodox

A Netflix Original Series inspired by Deborah Feldman's New York Times Bestselling book ‘Unorthodox’


26.3.20

das saudades da Palmy, a minha psicóloga blogosférica, que tanta falta me faz...

o post mais acedido de sempre desta tasca sem grandes acessos, é de abril de 2017 e teve dedo das artistas, Palmy Rego e Mirocassa.

A Artista 
(para que não surjam dúvidas, falo da minha pessoa, óbvio!)

23.3.20

hoje falei com a minha mãe

como a adoro, embevecida ainda como quando era criança e a olhava e lhe via tanta ternura e um sorriso tão doce e aquele olhar, o meu porto de abrigo. a minha mãe, forte e corajosa, um ser humano tão belo, que me ensinou que errar faz parte, mas devemos sempre procurar ser justos e respeitar os outros, especialmente quando estão caídos no chão. e ensinou-mo da melhor forma, fazendo, ajudando, dando a mão. 
tudo o que de melhor sou, dou e faço, a ela o devo, a tudo o que me ensinou. não é perfeita a minha mãe, e ainda bem, não me agrada essa ideia. tão preciosa a minha mãe, e tão feliz, mas tão assustada de agora poder morrer assim. e eu digo-lhe que não, que isolada está a salvo, mas o que sei eu? temo. todos tememos por alguém.

isto ficou banal sentimental. perdoem-me. 

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #9

[sim, o melhor mesmo, a bem de alguma sanidade mental, é publicar fotos de gatinhos fofinhos...]
[não, não corto as unhas ao bicho]

{era vejam lá se isto - o Lorca e o Poeta -  não é uma grande batota. a premissa era "o gato observando o horizonte enquanto pensa na sua maravilhosa dona" :)))}

{vou buscar o Dom Quixote de La Mancha...}

Corto by Flor

22.3.20

«Ecos que partem do centro, semelhantes a cavalos.»

a Sónia, que às vezes penso que vive dentro da minha cabeça e me fotografa a alma, desafiou-me para escrever sobre uma fotografia sua. 
partilho o resultado.

obrigada, Sónia.

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #8

quanto vale a vida de alguém a quem já ninguém parece dar valor?

21.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #7

não fosse o pó acumulado nas narinas, depois de limpar as estantes e tentar dar-lhes arrumação, o sol na cabeça, que agora me dói, da tarde inteira em fuga, e uma orquídea tão atrasadinha como Violeta (só tem ainda uma - esta - flor) e podia ganhar esta peleja... grrrrrr......


Violeta namorando o Poeta

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Ó Palmy, já te deixavas de frescuras e mandavas sinais de fumo...

20.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #6

o meu pássaro nocturno de ontem
(mocho-galego, quem sabe, Mokambo)

19.3.20

a amiga genial

série baseada nas obras de Elena Ferrante.
que saudades tinha de uma série/história/produção assim.

na HBO, teaser

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #5

em pouco mais de duas horas, tive tempo para analisar todos os que como eu esperavam a sua vez para entrar na farmácia. distante o mais que podia, sem perder a porta do raio de audição - que os números eram gritados lá de dentro -, tentei afastar o medo das partículas voadoras ouvindo as conversas circundantes. os mais afoitos, com os seus bigodes e cabelos brancos, falavam alto e gabavam-se da resistência ao tempo de espera, estavam ali ia para três horas!, (medo!) enquanto faziam a contabilidade de quem entrava e saía. eram especialistas na matéria, percebia-se, sabiam o número que cada um de nós carregava na senha, mesmo sem ver. aquilo era habilidade treinada em muitos jogos de sueca, pensei. as senhoras, menos dadas às distâncias, esperavam sentadas nos bancos do jardim e falavam das suas coisas. de vez em quando lá interpelavam o Zé, perguntando em que númaro 'stá? e o Zé, sem precisar de ir espreitar o monitor lá de dentro, gritava o número certo. sentados nas arcadas, outros três debitavam as suas teorias da conspiração, a China e coiso e já sabiam daquela merda e num sei o quê, falavam todos ao mesmo tempo, era cansativo percebê-los. o homem que mais me preocupava era um vesgo - perdoa-me, senhor - que não parava de espirrar. pior, parecia que o homem escolhia sempre o poiso perto de mim, por mais voltas que eu desse à porra do jardim. rai's partam, sr. vesgo! a sério? com uma praça tão grande, duas opções à vista - perdoa-me outra vez - e escolhe andar a cirandar aqui ao meu lado?!
recompus-me. a caminho da segunda meia hora, já tinha uma metodologia de presença, recuando e virando costas de forma assertiva, enquanto calcorreava o oito imaginário no passeio junto ao busto. ora fingia procurar um carro que vinha longe, ora detinha o olhar da cornija da casa em frente, tudo servia para afastar o medo - e o vesgo - e esquecer a dor de costas que ali me nasceu.
tudo se resolveu em menos de dois minutos, cronometrei. o farmacêutico, outrora tão simpático e conversador, parecia agora um cozinheiro chinês em linha de montagem. tive que berrar o final do pedido, que o homem pôs-se logo a caminho, e senti-me ridícula, gel também não havia, esgotadíssimo, e seringas só tinha dois sacos. rai's partam! pronto, ok, obrigada. dois passos à recta-guarda, um de cada vez, deixe-me lá sair, se faz favor, não me vai pegar o bicho nos últimos cinco segundos destas duas horas, pois não?!  o caraças do vesgo!.....


18.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #4

depois de pagar os impostos relativos a fevereiro, pergunto-me como irei pagar os de março...

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #3+1

Corto & Marlon B.

Estimados leitores, eis a prova, inequívoca, do colo enfezado da minha pessoa e de como Corto Gatês e Marlon Brando, ainda assim, o adoram. 

17.3.20

calma

tento a todo o custo que os neurónios não se juntem em pequenas associações clandestinas, onde criam elaborados planos de ansiedade, preocupação e claustrofobia, tudo para me verem num farrapo emocional.

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #3

Corto & Marlon B.

cinza: que falta faz uma dona com carnes...

caramelo: eh pá, sai de cima de mim, cromo!

cinza: calô, ó menino da dona! se encolhesses a pança estas coxas enfezadas davam pró's dois.

caramelo: eu já cá estava! sai daqui!

cinza (imitando voz esganiçadinha): eu já cá estava, uuuuh.... miau, miau.... ó pintas, ainda tu andavas nas bolas do teu pai e já eu ronronava com a dona, percebes?! não passas de um millenium mimado...

caramelo: ok, boomer!

16.3.20

e de repente

não foi bem de repente, diga-se, que já levo alguns dias desta moléstia colada ao corpo, juntamente com dores de cabeça e suores frios repentinos, que nascem directamente no hipotálamo encravadinho. feito o reparo, avanço. de repente, como coçar um pedaço de pele proibido, comecei com desejos violentos de enfardar calorias açucaradas. é com certeza o instinto de sobrevivência a trabalhar: pudins embalados ontem, bolo de chocolate esta manhã, e não terminei o dia sem ougar por um gelado do McDonald's. passei à porta, conduzindo lentamente Jolly Jumper - não vá o bicho criar ferrugem, voltei a passar, o creme branco a entrar-me pelos olhos, a geleia vermelha, enjoativa, a fundir-se naquela neve tão doce e eu a babar. mas o forte espírito de abnegação, herdado de bisavós do tempo da primeira guerra mundial, vem em meu auxílio, precioso, e ajuda o pé direito a carregar no velho pedal do acelerador, enquanto eu tomava conta do volante e do pisca à direita na rotunda. chego a casa frustrada, é certo, mas de mão ao peito, sabendo que cumpri a minha parte de cidadã exemplar. agora vou tentar enganar a dopamina com iogurte natural e mirtilos esborrachados. 


....merd#, já não tenho mirtilos!