5.5.21

quem boceja, tem inveja

belita, a aristocrata, enxota as moscas serviçais,

enquanto vai mordiscando a pequena madalena do pingo doce 

(que a do Proust é muito chata,

lembra-lhe a casa antiga de quando era gaiata, 

numa rua de Sacavém),

e sorve o chá adocicado.

assim é a vida para lá do ecrã, de chinelo e sertã,

um rol de uis e ais,

o pó acumulado,

a roupa suja na gaveta, que até Marie Kondo faria uma careta

e deitaria tudo ao chão.

julga a belita que assusta com a barba do tio Marx,

um burguês machista, tomates de alpista, filhos bastardos e pouco mais.

ataca Violeta com a mesada, se nunca esta lesada 

viveu às custas de ninguém.

ouve bem,

belita, 

ouve bem e presta atenção,

que eu sei ao que vais,

quando finges beicinho e te chegas aos teus pais,

a mãozinha estendida e envergonhada.

intriguista encartada, enxovalhas de caminho as suculentas,

gentis e ternurentas,

inclusivas à migrante alface, 

que nas diferenças é que estão os sabores,

(não viste tu o pepino a crescer),

enquanto te besuntas sempre que podes, que as rugas dão te hórrores,

no creme de aloé vera.

uma fera, esta belita.

6 comentários:

  1. O despique em poesia
    fica sempre mais bonito.
    Violeta, tu és aquela
    bonita e nobre
    donzela.
    Não te assustas___
    ___e pepinos,
    há mais que muitos.

    Força, aí, nos zigue-zagues. 🤭

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  2. Lindo poema!
    Também vivem comigo lindas orquídeas. Mas sem nome e sem direito a versos ....

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  3. opá perdi-me, não aguento tantas letras com xota e serviçais
    o proust mora em sacavém?

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