1.8.21

agosto, em tons de rosa, pela manhã

 


e agora

com travo na boca a café,

vou deixar-te o Pina, 

antes de encostar a porta,

para que não digas que não me despedi.



Perde-se o corpo na inabitada casa das palavras,

nas suas caves, nos seus infindáveis corredores;

pudesse ele, o corpo, o que quer que o corpo seja,

na ausência das palavras calar-se.

Não, com nenhuma palavra abrirás a porta,

nem com o silêncio, nem com nenhuma chave,

a porta está fechada na palavra porta

para sempre.

O azul é uma refracção na boca, nunca o tocarás,

nem sob ele te deitarás nas longas tardes de Verão

como quando eras música apenas

sem uma casa guardando-te do mundo.


|Uma Casa|