3.12.21

3.12.2021

Não sei o que vos dizer. No país e no mundo, coisas importantes acontecem, algumas confusas, outras finalmente. Mas por aqui, mantenho me a cento e oitenta no tanque, a Pi sentada no banco ao lado, e, ora uma, ora outra, olhamos o tecto em silêncio. Só sairei quando a água arrefecer. Vi Oblivion esta tarde, gosto de sci-fi, Tom não esteve mal, era o que tinha de ser, passar tempo. Ainda me faltam os últimos 5 minutos, mas a curiosidade é pouco. Comprei um brioche no Lidl, gosto daquela massa simples, aborrecida. Talvez tenha sido o meu jantar. Tenho saudades do cheiro a Nivea na pele da minha mãe, quando era pequena e ficava doente, dormia com ela e não havia sítio melhor. A minha mãe encolhia se para eu ter um lugar na beirinha da cama e não incomodar o meu pai. Havia água de rosas, e aquela voz doce, uma voz que nos sossega, nos carrega e nos ama. Mas havia algum medo também, os seus gestos nervosos, recordo me que me assustavam, mas depois deixava me dormir e esquecia. O medo de que o meu pai se zangasse por eu estar ali, era isso. Todos tínhamos medo do meu pai.

Está na altura de sair da água. Tenho uma toalha em cima do aquecedor à minha espera.

4 comentários:

  1. Ah, as saudades do cheiro da mãe... a minha também era cliente do nivea azul, o creme espesso e branco. E punha na cara Tokalon, e gostava de anaís anaís.
    Do meu pai tinha mais do que medo, era terror, sentimento que contaminou e para sempre a relação. Mas fui quem lhe restou na velhice, e em cujas mãos morreu, lá comigo sozinho na cama do hospital.

    E não seremos muito mais do que isto, o cumprimento do destino que a infância escreveu para nós.

    Obrigada.

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  2. Se escreveres assim todos os dias eu fico a gostar do mês de Dezembro
    De pessoas só mesmo de algumas...poucas
    Bj flor de Lotus

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  3. O Medina demorou mais tempo a sair do Governo que tu desse banho retemperador de energias ;)

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